A Justiça de Minas Gerais determinou a retomada do processo de recuperação judicial das empresas do grupo 123 Milhas. Este avanço ocorre após uma suspensão temporária do processo em setembro, decidida pelo desembargador Alexandre Carvalho, que aguardava a conclusão de uma constatação prévia realizada por peritos.
Após análise, os peritos atestaram a viabilidade do pedido de recuperação judicial do grupo, embora com algumas ressalvas. Essa avaliação é um ponto chave, especialmente considerando as acusações de irregularidades financeiras enfrentadas pelo grupo.
O grupo 123 Milhas foi acusado de irregularidades em seus balanços, resultando no recebimento indevido de R$ 44,4 milhões em dividendos entre 2020 e 2023.
A necessidade de um pedido de recuperação judicial surgiu em agosto, em meio a uma crise financeira aguda. O grupo enfrentava dívidas de R$ 2,3 bilhões e reportou um prejuízo líquido substancial de R$ 1,67 bilhão no primeiro semestre do ano. O passivo total do grupo alcançou R$ 2,42 bilhões, com uma base de 803 mil credores.
Além disso, o grupo foi criticado pela distribuição de R$ 29,8 milhões em dividendos e R$ 14,5 milhões pela Art Viagens nos últimos anos. Esta distribuição ocorreu em um período marcado por irregularidades no reconhecimento de gastos, particularmente no que se refere a despesas com marketing e publicidade.
O grupo 123 Milhas atendeu em média cinco milhões de clientes por ano e movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2022. A recuperação judicial envolve as empresas 123 Viagens e Turismo Ltda., Art Viagens e Turismo Ltda. e Novum Investimentos Participações S/A.
Com informações do Olhar Digital