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Provas para ingresso no Colégio Naval devem ser realizadas em todas as capitais do país

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O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação para que a Marinha do Brasil apresente, em até 180 dias, um plano estratégico para incluir todas as capitais brasileiras como locais de prova do processo seletivo para o Colégio Naval a partir de 2025. A instituição deve aperfeiçoar o sistema de escolha das cidades, considerando a quantidade de inscrições em cada estado e região do país.

De acordo com o procurador da República Raphael Beviláqua, autor da ação, o objetivo é reduzir as desigualdades sociais e regionais e assegurar paridade de condições entre os candidatos no acesso ao processo seletivo. “Atualmente, as provas são realizadas apenas em 21 cidades brasileiras, em prejuízo a candidatos de localidades longínquas, embora com grande número de inscritos”, afirmou.

Como exemplo comparativo, em 2022, o Rio Grande do Sul teve somente 80 candidatos inscritos e as provas foram realizadas em três cidades: Porto Alegre, Santa Maria e Rio Grande. No mesmo ano, a Região Norte – a maior do país com uma área de 3,8 milhões km², 13 vezes maior que o estado sulista – somou 512 inscritos e as provas foram realizadas apenas em Manaus (AM) e BeIém (PA). Já na Região Nordeste, os nove estados obtiveram 1072 candidatos aos quais foram ofertadas quatro opções para realização das provas: Salvador (BA), Natal (RN), Fortaleza (CE) e São Luís (MA).

Quando questionado pelo MPF, o Serviço de Seleção do Pessoal da Marinha, setor responsável pela organização do concurso, apresentou respostas evasivas sobre o uso do quantitativo de inscritos como critério para a ampliação dos locais de provas. Segundo relatado, a escolha dos locais busca a maior abrangência possível do território nacional e considera a quantidade de inscritos e as limitações logísticas e orçamentárias da instituição militar.

O MPF expediu recomendação, ainda em abril de 2023, para que a instituição verificasse a possibilidade de realização dos próximos processos seletivos em todas as 26 capitais, e, caso inviável, que fosse avaliada a possibilidade de distribuir os locais de maneira proporcional à extensão territorial e à respectiva quantidade de inscritos. O edital mais recente publicado pela Marinha, porém, previu as mesmas cidades das edições anteriores para o certame de 2024, em desacordo com as medidas recomendadas.

Considerando que a seleção em andamento não pode sofrer alterações devido à proximidade da data de realização das provas – 8 e 9 de junho –, o MPF requer, na ação, que o plano estratégico seja aplicado nos concursos realizados a partir de 2025.

O pedido do MPF na ação prevê que, caso seja devidamente comprovada a impossibilidade de ativação de todas as capitais, a Marinha apresente a previsão de escolha de cidades de acordo com a extensão territorial, e de outros critérios que garantam tratamento em igualdade aos candidatos, como a possibilidade de rotatividade entre capitais que ainda não foram incluídas.

Com informações do MPF

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