O Ministério Público de São Paulo denunciou o juiz aposentado Edward Albert Lancelot Dodd Canterbury Caterham Wickfield pelos crimes de uso de documento falso e falsidade ideológica. A denúncia foi aceita pela 29ª Vara Criminal da capital, que tornou o magistrado réu no processo no último dia (31).
INVESTIGAÇÃO COMEÇOU APÓS TENTATIVA DE OBTER RG COM NOME FALSO
A apuração teve início após o denunciado tentar tirar uma segunda via do Registro Geral (RG) em uma unidade do Poupatempo, utilizando o nome supostamente fictício. A Polícia Civil investigou o caso e constatou que o nome verdadeiro do juiz seria José Eduardo Franco dos Reis, que teria utilizado a falsa identidade por cerca de quatro décadas.
Segundo o MP-SP, nesse período, ele “enganou quase a totalidade das instituições públicas”, mantendo sua verdadeira identidade em sigilo enquanto atuava sob o nome fabricado.
FALSA ASCENDÊNCIA NOBRE TERIA FACILITADO CARREIRA NA MAGISTRATURA
De acordo com a denúncia, o magistrado se apresentava como descendente da nobreza britânica e alegava ser filho de Richard Lancelot Canterbury Caterham Wickfield e Anna Marie Dubois Vincent Wickfield — cujas existências não foram comprovadas até o momento.
Com essa identidade, Wickfield ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), prestou concurso e passou a atuar como juiz no Tribunal de Justiça de São Paulo