Entrevista Quinto TRT-RN “Represento muito bem a advocacia potiguar”, diz Eduardo Gurgel

Em entrevista ao programa "Justiça em Questão", na CBN Natal, o advogado Eduardo Gurgel conversou com o diretor do JURINEWS, jornalista João Ferreira, sobre sua postulação à vaga de desembargador do Quinto Constitucional do TRT-RN.

Com 18 anos de atuação profissional, em especial nas áreas trabalhista, civil, imobiliária, empresarial e societária, Eduardo Gurgel detalhou mais sobre sua trajetória, opinou sobre temas inerentes à Justiça do Trabalho e elencou os motivos pelos quais deve ser um dos escolhidos pelos advogados potiguares para compor a lista sêxtupla na eleição que acontecerá no dia 12 de julho.

Confira os principais temas da entrevista:

POR QUE É CANDIDATO?

“Depois de muitos anos de advocacia vamos construindo muitas pontes ao longo do caminho e encontrei em colegas o apoio desde o início, quando surgiu a possibilidade da vaga fui procurado porque ninguém é candidato de si, a gente é candidato de um grupo, então a partir do momento que vi que existia essa representatividade dos colegas passei a analisar alguns pontos e decidi que era a hora de enfrentar esse desafio”.

IMPORTÂNCIA DO QUINTO

“O Quinto é essencial pro Judiciário porque traz um membro pra Corte que vem com outra história. No meu caso, tenho uma carreira de 18 anos de muita militância, de muitos processos nas áreas trabalhista e civil, e essa militância de lidar com esses processos do outro lado da mesa traz uma experiência que é muito benéfica para um equilíbrio dentro da Corte, que traz uma outra visão, por exemplo, é o advogado devido seu papel que está mais próximo do jurisdicionado, da população, está perto do meio de produção, do empregado, então tem uma outra sensibilidade que ele pode trazer pra dentro da Corte com um equilíbrio maior e uma visão diferente que pode contribuir para os julgamentos”.

PROPOSTAS

“A melhor proposta é levar toda a experiência da militância na advocacia pro outro lado da mesa e poder lidar com a advocacia com mais sensibilidade porque o advogado tem uma vida muito difícil, vivemos em um estado onde os recursos financeiros são escassos e o advogado luta todo dia pela sua sobrevivência e ele precisa levar alguém para o tribunal que compreenda melhor as suas necessidades e que possa trazer respostas aos pedidos da advocacia porque tem muitos pleitos e o novo desembargador pode ser essa ponte de diálogo para que possa se chegar a algumas conclusões de melhorias para o advogado, em conseqüência para o jurisdicionado e para a democracia. Outro ponto a ser defendido são as prerrogativas dos advogados porque não se pode esquecer que quem vai disputar o Quinto construiu uma carreira na advocacia, no meu caso, estou há 18 anos, e não se pode esquecer o passado, tem que ter o perfil de ser um membro que compreenda os anseios da advocacia, respeitando, claro, a experiência e toda a jurisprudência e toda a praxe vigente na Corte”.

ATUAÇÃO DO TRT-RN

“Já houve um progresso muito grande. Eu me lembro quando comecei a advogar as Juntas Trabalhistas eram espalhadas por Natal e o advogado tinha que correr de um lugar pro outro, não havia sala, a gente sentava no sol, o espaço entre as audiências era muito menor. Então, é preciso primeiro reconhecer esse progresso, agora nada é tão bom que não possa melhorar e o anseio da classe é grande. Existem vários pleitos da advocacia, um deles, por exemplo, é dos advogados do interior de se tentar fazer a audiência através de videoconferência pra não ter o deslocamento, porque às vezes os honorários que ganha o advogado não cobre os custos da viagem, então é preciso ter essa sensibilidade para ser o porta voz de diálogo dos pleitos, para ser aberta a discussão dentro do tribunal e atender as necessidades da advocacia”.

EXTINÇÃO DA JUSTIÇA DO TRABALHO

“Vejo isso como uma impossibilidade. A Justiça do Trabalho, ao contrário do que se diz, ela existe em vários países do mundo, não é uma criação do Brasil e é impossível se regular a relação de emprego com equilíbrio sem a Justiça do Trabalho, aliás, eu não tenho ouvido mais falar sobre isso e o que tem que ser feito é ela continuar como está, sempre no caminho do melhoramento para os jurisdicionados, magistrados, advogados e por fim para a sociedade”.

REFORMA TRABALHISTA

“Em primeiro lugar, em relação às ações trabalhistas, é claro que isso teve grande impacto mas ninguém pode deixar de levar em conta a situação econômica do país, depois de muitos anos de deságio econômico, vivemos numa situação de desemprego e quanto menos emprego, menos demanda trabalhista. Outro ponto também é que a reforma ainda terá sua palavra final pelo STF, uns pontos da reforma devem ser mudados e vejo isso com bons olhos apesar de acreditar que a reforma veio pra um grande benefício da sociedade. Recentemente, tivemos o julgamento do STF sobre a questão da gravidez e dos laudos, é normal que haja mudanças trazendo mais equilibro, um tempero para a reforma como deve ser. As coisas no Brasil e no mundo inteiro acontecem assim, tem um movimento que vai numa direção, depois a sociedade fala, a própria Justiça muda e há um equilíbrio maior trazendo a coisa para o meio termo.

TRAJETÓRIA

"Represento muito bem a advocacia potiguar. Comecei em um escritório bem pequeno, no Profissional Center, na Rua Lauro Pinto, vivi todas as épocas, vivi a época da advocacia sozinho, fazendo muitas audiências, vivi a época da advocacia média com mais clientes, com colegas associados e vivo hoje, depois de 18 anos, uma advocacia mais estruturada. Ao longo desse tempo, construí muitas amizades, vivi muitas dificuldades e muitas alegrias na advocacia. E a experiência que trago é o que me motiva a encerrar esse ciclo e partir para o outro lado em beneficio da própria advocacia, do Judiciário e da sociedade. Também fui professor da UnP, contribui para a formação de profissionais que hoje estão no mercado, foi um tempo muito bom que sinto falta. Aprendi a ser um profissional versátil, como o Rio Grande do Norte é um estado com poucos recursos precisei me adaptar ao mercado e tive que atuar em mais de uma área, sempre antenado com as mudanças da sociedade e acompanhar as evoluções seja tecnológica, seja jurisprudencial, seja política. Inclusive dentro da advocacia trabalhista tive oscilações na minha atuação. Comecei fazendo basicamente só reclamante em parceria com outros colegas, depois passei a ter clientes, anos depois fui correspondente, depois fui advogado titular de grandes empresas, nessa época atuava mais pelo reclamado, e recentemente fui advogado de várias empresas do Minha Casa, Minha Vida, e no ano passado tive mais reclamações trabalhistas do lado do empregado, coincidentemente, por um fator isolado. Assim atuei na Justiça do Trabalho ao longo de todos esses anos, como também fiz consumidor, empresarial, societário, imobiliário, realmente só não atuei de maneira forte no direito tributário e penal. A atuação em várias áreas não é uma realidade só minha e sim de muitos colegas que vivem da advocacia"

POR QUE DEVE SER UM DOS ESCOLHIDOS?

"Ao longo da minha trajetória acumulei experiência técnica e experiência suficiente de vida para compreender melhor o advogado, o quanto ele sofre e o que ele precisa pra ter sucesso na advocacia, e porque do início até hoje aprendi o direito da maneira do advogado a cada caso concreto e por isso mesmo acho que do outro lado, como desembargador, vou poder dar decisões que sejam justas para os jurisdicionados por ter a sensibilidade do advogado, então me coloco à disposição da classe para representá-la da maneira mais digna possível e sempre com o gabinete aberto para ouvir os advogados, seja na parte jurisdicional, seja pra ser uma voz ativa em relação aos pleitos que não são necessariamente processuais. Quero pedir a toda classe que dê a oportunidade de ouvir e conversar para entender qual é a melhor escolha para  levar alguém que seja militante e possa fazer a diferença no tribunal. Vou honrar cada voto que receber da maneira mais ética, proba, compreensível e sensível para os advogados e a sociedade". 

 

 

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