Artigo O incêndio no Museu Nacional e a gestão jurídica

Por Ana Patrícia Borba, consultora em gestão jurídica

Na semana passada os brasileiros acompanharam, estarrecidos, a destruição do Museu Nacional e todo o seu inestimável acervo. Ali se encontravam não apenas peças históricas e registros de raridades, mas também insubstituíveis fontes de pesquisas eestudo de profissionais que se viram órfãos depois de anos de trabalho e dedicação à história do país e da humanidade.

Várias foram as narrativas acerca da ausência de investimentos e da falta de atenção à prevenção estrutural do prédio onde funcionava o Museu, em todos os seus aspectos, que culminaram nessa tragédia para a cultura nacional.

O drama nos faz questionar se estamosdevidamente precavidos e preocupados com nosso patrimônio (material e imaterial), ou se acreditamos que é algo que nunca poderia nos ocorrer.

Dentro das organizações jurídicas (leia-se escritórios de advocacia, departamentos jurídicos e cartórios) é onde normalmente se confia a guarda do mais valioso acervo das pessoas físicas e jurídicas: os documentos constitutivos de direitos (escrituras, contratos, títulos, atas, etc.).

É possível mensurar o valor que representaria a perda de tais documentos em um incêndio, alagamento ou qualquer outro desastre?

Ainda que toda a documentação existente esteja digitalizada em um servidor de dados blindado com a segurança tecnológica necessária, é inegável a necessidade de mapear e buscar os mecanismos (estruturais e jurídicos) para mitigar eventuais riscos e imprevistos.

Neste sentido, a gestão jurídica se apresenta como uma valiosa ferramenta de avaliação e implementação de procedimentos e técnicas que visam a garantia da integridade dos direitos que se encontram consubstanciados nos documentos existentes na organização jurídica, além de primar pela incolumidade da reputação dos advogados que a compõem, uma vez que a prevenção e a cautela são essenciais à construção e perpetuação da imagem do profissional.

Ana Patrícia Borba é consultora em gestão jurídica e presidente da Comissão Especial de Gestão Jurídica da OAB-RN

 

 

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