Editorial A generalização das opiniões em tempos de intolerância

Uma análise racional da delação premiada da ex-procuradora da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, Rita das Mercês Reinaldo, parte de uma primeira pergunta: a quem serve a divulgação generalizada de crimes?

O fato em que ela aponta o envolvimento de integrantes do Ministério Público Estadual, do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça, além de um bom número de deputados estaduais não é novo. É de 2016 e ainda merece ser investigado para saber se é verdade ou mera especulação de quem busca o perdão judicial absoluto. 

O bom jornalismo deve zelar para ter o cuidado de não envolver pessoas sérias em conjecturas ou ilações de quem delata. Mas não é o que estamos assistindo desde que o acordo de colaboração firmado com o Ministério Público Federal foi vazado ao conhecimento da sociedade. Muita espetacularização nesses tempos de intolerância.

A segunda pergunta é mais contundente: fazer indicação agora é crime? Indicação para cargo comissionado por si só não tipifica nenhum crime.

É preciso separar o joio do trigo. Esse cuidado a delatora premiada não teve porque seu maior objetivo foi alcançado ao obter um conjunto de vantagens e, inclusive, o perdão judicial para filhos e netos. Conseguiu uma aposentadoria vitalícia por três gerações de R$ 30.000,00 para os filhos e depois para os netos. É possível uma delação que afronta até a lei? Porque nenhum cidadão de bem e que não pratica crimes consegue transferir sua aposentaria para os herdeiros. 

Desse modo, em qualquer sociedade civilizada, a colaboração premiada terá de apontar as provas e antes de generalizar acusações os cidadãos precisam de uma ética mínima para evitar acusações apenas odiosas.

 

 

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